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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Consórcio Belo Monte e Governo tentam acordo

Dirigentes do Consórcio Construtor Belo Monte deram início ontem, em Belém, a um trabalho de recomposição de suas relações com o Governo do Estado, fortemente desgastadas por episódios recentes envolvendo, principalmente, a realização de compras em outros Estados. “Nós estamos mostrando alguns números, estamos trazendo dados, e temos motivos para acreditar que as relações (entre o consórcio e o Estado) vão retornar a um bom entendimento”. A afirmação foi feita pelo diretor de relações institucionais do CCBM, Henrique Di Lello, no final da manhã de ontem.

Ele havia acabado de participar, no Centro Integrado de Governo, de um encontro com o secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Estado, David Araújo Leal. Pelo Consórcio Construtor Belo Monte, participaram também da reunião o diretor administrativo, Marcos Sordi, e o gerente de relações institucionais, Flávio Acatauassú. Presentes ao encontro, estiveram ainda o coordenador do programa Rede de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), Luiz Pinto, e o economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese. O PDF é mantido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará com apoio do Governo do Estado.

David Leal afirmou, ao final da reunião, haver apresentado, aos dirigentes do CCBM, uma série de itens aos quais o Governo do Estado atribui grande importância. O objetivo, conforme frisou o titular da Seicom, é criar um ambiente favorável para que as empresas paraenses possam ser mais acionadas, seja para o atendimento de compras, seja para a prestação de serviços. “A preocupação do governo é fazer com que os empreendimentos aqui instalados proporcionem maior circulação de riquezas e estimulem a geração de empregos”, acrescentou.

O secretário de Indústria, Comércio e Mineração, que até o mês passado coordenava o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), tendo levado para dentro do governo toda a sua experiência nesta área ao assumir o cargo, transmitiu também aos dirigentes do CCBM uma diretriz do atual governo. Segundo David Leal, as empresas que vêm de fora para se instalar no Pará estão sendo orientadas no sentido de atrair para cá também os seus principais fornecedores. Isso vale para
o Consórcio Belo Monte, para as grandes mineradoras e para as grandes empresas de todos os setores da economia.

O secretário citou como exemplo o próprio Consórcio Belo Monte. Na medida em que ele conseguir trazer para o Estado alguns de seus grandes fornecedores, afirmou, estará criando aqui uma estrutura de bens e serviços que será muito útil no futuro quando se iniciarem as obras de construção de outras grandes hidrelétricas projetadas para o Estado do Pará. “As próprias empresas que hoje integram o CCBM serão provavelmente beneficiadas”, acentuou.

David Leal revelou que o Consórcio Belo Monte ficou de responder, por escrito, aos questionamentos que lhe foram apresentados. Quando tiver a resposta em mãos, provavelmente na semana que vem, ele e o secretário da Fazenda, José Tostes Neto, que vêm tratando mais diretamente das questões ligadas à empresa, encaminharão a documentação ao governador Simão Jatene. “O governador vai decidir os próximos passos considerando os interesses do Estado”, finalizou.

Diretor do Consórcio admite dificuldades nas compras

Cuidadoso ao extremo no manejo das palavras e reticente em alguns momentos, o diretor de relações institucionais do Consórcio Construtor Belo Monte, Henrique Di Lello, admitiu ontem que o CCBM vem efetivamente enfrentando dificuldades no tocante às compras. Tanto no encontro que manteve com o secretário da Seicom, no final da manhã, como na reunião com o secretário da Fazenda, José Tostes, ocorrida à tarde, Di Lello apresentou uma série de dados e números que, a partir de agora, serão esmiuçados pela área técnica do governo.

No tocante às compras, especificamente, observou que elas são condicionadas a um modo próprio de operação. “Nós temos procurado privilegiar as empresas do Pará em condições de igualdade com as de outros Estados”, afirmou o diretor do CCBM. E acrescentou: “A gente sempre faz isso e continua fazendo, mas existem algumas situações técnicas que evidentemente a gente às vezes não consegue superar”.

Henrique Di Lello não detalhou as informações transmitidas aos dois secretários com os quais ele e seus companheiros de diretoria mantiveram contato nesta visita a Belém. Limitou-se a explicar que são dados relativos a pagamento de impostos, à capacitação de profissionais e à contratação de trabalhadores do Pará e mais especificamente da região de Altamira, que estão atuando na obra de construção da hidrelétrica. “Foi uma reunião muito positiva, e acho que agora podemos evoluir para uma capacitação maior de fornecedores”, afirmou, ao deixar a sala de reuniões da Seicom.

Os dois temas, aliás - fornecedores e geração de empregos - foram dominantes na conversa que a direção do CCBM manteve com o coordenador do PDF, Luiz Pinto, e com o supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena. “O nosso objetivo é promover uma aproximação das demandas do projeto com os fornecedores locais, a fim de que ele possa aumentar suas compras no Pará”, afirmou Luiz Pinto.

Neste mesmo sentido segue a preocupação do Dieese. “Nós defendemos o máximo possível de investimento em capacitação de pessoal. Só assim ampliaremos as oportunidades de trabalho para os profissionais paraenses, evitando o preenchimento das vagas por trabalhadores trazidos de fora”, finalizou Roberto Sena.

Fonte : Diário do Pará

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Justiça Federal manda paralisar obras de Belo Monte


A Justiça Federal concedeu nesta terça-feira (27) uma liminar (decisão provisória) determinando a paralisação parcial imediata da obra da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Depois de concluída, a usina de Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do país, atrás somente da binacional Itaipu.



A decisão atende a pedido da Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat), cujos integrantes
trabalham na região da futura usina. A empreendedora Norte Energia, responsável pela obra, informou em nota que ainda não recebeu notificação da Justiça Federal a respeito da decisão.

A liminar, assinada pelo juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, proibiu a Norte Energia de fazer qualquer alteração no leito do Rio Xingu. A obra no rio ainda não começou. A decisão não impede, porém, a continuidade de obras de implantação de canteiros e de residências, por não interferirem na navegação e na atividade pesqueira.
Árvores derrubadas para alargamento de estrada que dá acesso aos acampamentos e à Transamazônica (Foto: Mariana Oliveira / G1)Árvores derrubadas para alargamento de estrada
que dá acesso aos acampamentos de Belo Monte
(Foto: Mariana Oliveira / G1)


Dentre as atividades proibidas pela Justiça no rio estão “implantação de porto, explosões, implantação de barragens, escavação de canais" ou qualquer obra que interfira no curso natural do Rio Xingu e possa afetar a população de peixes que ali vive.

A multa diária fixada pela 9ª Vara Ambiental em caso de descumprimento é de R$ 200 mil. Ao empreendedor, a Norte Energia, cabe entrar com recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília (DF), segundo informações da Justiça.

Acesso
A Acepoat argumenta na ação que o início dos trabalhos para a construção da Usina de Belo Monte inviabilizará totalmente a atividade pesqueira na região, uma vez que o acesso ao Rio Xingu, segundo a entidade, estará impedido, tanto para os pescadores quanto para os peixes.

O juiz não considera que as atividades da hidrelétrica e dos pescadores sejam incompatíveis, mas entende que os pescadores só estarão plenamente aptos a retomar suas atividades quando a usina estiver pronta, em 2020.

“Ora, não é razoável permitir que as inúmeras famílias, cujo sustento depende exclusivamente da pesca de peixes ornamentais realizada no Rio Xingu, sejam afetadas diretamente pelas obras da hidrelétrica, ficando desde já impedidas de praticar sua atividade de subsistência, sem a imediata compensação dos danos”, afirma.

Fonte: G1