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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Olavo Neves desabafa sobre hidrelétrica no Tapajós

Mais uma vez o Estado do Pará está sendo convocado para contribuir com um Brasil que insiste em tratar a Amazônia como almoxarifado. Não bastassem os minérios, tão importantes para o resultado positivo da balança comercial brasileira, desonerados através da perniciosa Lei Kandir que já causou prejuízos superiores a R$ 21 bilhões aos paraenses, eis que surge um novo apelo em prol da nação brasileira, agora, mais energia oriunda de um considerável conglomerado de hidrelétricas que tem urgência de instalação em território paraense, notadamente no Oeste do Pará. 

Importante ressaltar que o colapso energético para onde caminha o Brasil, fruto de um desastrado planejamento nas matrizes de geração, corroboram para inadiável consolidação de um plano decenal de expansão de energia que urge e surge, mais uma vez, atrasado em meio a um processo que não contempla, ao menos até o momento, estudos convincentes nem a montante, muito menos a jusante dos locais planejados para implantação das hidrelétricas.

Um exemplo, que assombra moradores do Oeste do Pará, está na ameaça do rio Tapajós represado comprometer, além da rica biodiversidade a jusante da usina, todo patrimônio turístico proporcionado através de suas belas águas, como o famoso encontro das águas em frente a cidade de Santarém, fruto da junção dos rios Amazonas e Tapajós, bem como importantes praias de água doce, em especial a famosa praia da Alter do Chão em Santarém, tendo sido considerada a mais bela do mundo pelo conceituado jornal inglês The Guadian.

Com o represamento do rio Tapajós, o barrento Amazonas tende a avançar em seu leito interferindo drasticamente no ambiente que tanto envaidece a população do entorno, situação aliás que já contribui para posição desfavorável às hidrelétricas percebida em quase unanimidade de seus ribeirinhos.

Como Paraenses, Amazônidas e Brasileiros que somos, estamos prontos para contribuir, porém, não sem antes discutir à exaustão os impactos destes projetos, além de ratificar que não aceitaremos migalhas ou ações mitigadoras, mas sim um projeto de desenvolvimento com responsabilidade socioambiental, geração de emprego, renda e um futuro digno para todos aqueles que aqui vivem.

O Brasil tem pressa. Nós Paraenses também.

Olavo das Neves - Professor Universitário

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