Vacina 2ª Dose

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Brasil está redescobrindo a cultura paraense

A cultura do Pará está em uma de suas melhores fases no que diz respeito à visibilidade e reconhecimento pelo resto do país. As lentes das grandes redes de televisão brasileiras se voltam cada vez mais para o cenário regional. A cultura e o espaço territorial do Estado estão presentes em pelo menos duas novelas exibidas em horário nobre. Cantoras da terra, como Gaby Amarantos e Lia Sophia, estão em alta no cenário musical nacional e, recentemente, a escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense escolheu a cultura paraense como enredo para o carnaval de 2013.A cantora Gaby Amarantos é a artista paraense que mais está colhendo os frutos deste interesse da mídia nacional pela cultura regional. Gaby, que tem mais de 20 anos de carreira, emplacou o hit “Ex my love” na trilha sonora da novela “Cheia de Charme”, o que lhe rendeu passaporte para os principais programas de entrevistas das emissoras nacionais.
A musa do Tecnobrega também e é uma das participantes de um famoso programa nacional em que artistas conhecidos do público tem de mostrar seu talento como dançarinos.A própria Gaby Amarantos confirma que o interesse pela cultura paraense é crescente. Um termômetro disso é o grande número de participações da artista em programas de entrevistas das TVs nacionais, revistas e até sites internacionais. A cantora fala que aproveita sempre suas entrevistas para falar mais sobre a cultura de sua terra natal. “Tenho percebido, sim, um grande interesse da mídia pelo meu trabalho e sempre falo da cena local, assim as pessoas passam a conhecer um pouco mais da nossa cultura e dos outros artistas que também fazem sucesso no Pará, além de mim”, comenta.Todo esse interesse, comenta Gaby Amarantos, se deve à qualidade dos artistas paraenses aliada aos projetos de divulgação da música regional através de iniciativas como o projeto Terruá Pará, que segundo ela, “potencializa e fomenta a cena musical”. Mas para que esta evidência não se torne apenas um modismo, Gaby defende que os artistas precisam primar pelo profissionalismo, pela união, e sobretudo pensar no coletivo. “Eu tenho viajado bastante e aproveito o interesse pelo meu trabalho e pelo Tecnobrega para dizer que  tem muito mais gente boa além de mim. Me sinto na missão de contribuir pra difusão da nossa cultura, declara.Para a cantora Lia Sophia, que integra a trilha sonora da novela “Amor Estranho Amor” com a canção “Ai Menina”, a música paraense está em evidência porque o Brasil está redescobrindo a cultura produzida fora do eixo Rio-São Paulo. “Temos aqui uma diversidade rítmica riquíssima que, muitas vezes, nós mesmos não conhecemos. O resto do Brasil está seduzido pela nossa cultura e temos muito a oferecer para o resto do país” explica.Lia Sophia também reconhece o trabalho de artistas que precederam e abriram caminho para a geração atual. Na opinião da cantora, os artistas paraenses já vêm galgando há muitos anos este espaço na mídia nacional. E cita como exemplo Fafá de Belém, Banda Calypso e Pinduca, que ganharam espaço no cenário nacional e levaram o nome do Pará consigo. “Agora estamos apenas colhendo os frutos destas investiduras”, reconhece.A grande missão dos artistas que já estão inseridos no mercado nacional da música, segundo Lia Sophia, é colocar o Pará na posição de influenciador da cultura brasileira. “E esta é a grande herança que este movimento vai deixar. Temos que influenciar o Brasil em todos os aspectos, culturalmente falando, e de forma inteligente, para nos posicionarmos como infuenciadores” disse.
Políticas públicas, Tropicália e TerruáAs políticas públicas têm papel determinante na afirmação da cultura paraense e na oxigenação da produção desse setor no Estado. Esta é a opinião do músico amazônico e diretor da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Nilson Chaves. O artista e gestor compara o processo de chegada da cultura paraense na mídia nacional com o movimento da Topicália, que colocou a cultura baiana como uma das mais visíveis nacionalmente.Nilson conta que no final da década de 60 morava no Rio de Janeiro e foi testemunha da ação que o governo do Estado da Bahia realizou para que o movimento da Tropicália vingasse. Ele comenta que, à época, os integrantes do grupo Novos Baianos moravam em uma grande casa no bairro de Santa Tereza, que era bancada pelo governo baiano. “Houve toda uma estratégia para que estes artistas difundissem a cultura baiana e o governo foi cúmplice nessa ação . Para que essa difusão também dê certo com a nossa cultura, é importante que os artistas paraenses consigam se ver através do Terruá Pará e percebam que mesmo não estando ainda inseridos no projeto podem se beneficiar com este mote”, comenta.
Este benefício está vindo, como explica Nilson, através do olhar de produtores nacionais para a cena musical paraense. Nilson afirma também que é a música que pilota todo o restante da cultura e exemplifica isso remetendo-se novamente à chegada da música baiana no cenário nacional. “Quando a Tropicália chegou com Caetano Veloso, Gil, Gal, Novos Bahianos e Tom Zé, veio em seguida o acarajé, a praia de Itapoã, a literatura de Jorge Amado, as obras do artista plástico Caribé e toda a atenção para o ser baiano, sua cultura e a paisagem do Estado”.
Renovação da produção cultural Para a presidente da Rede Cultura de Comunicação, Adelaide Oliveira, a produção cultural de uma determinada região tem que passar por uma oxigenação antes de de alcançar o mercado cultural nacional. “Como movimento é necessário oxigenar esta produção através de políticas de valorização dos artistas locais. É aí que entra o papel das emissoras públicas", explica.Adelaide explica que a cultura paraense sempre teve o poder de seduzir o público, mas isso se dava apenas no contexto local, onde as pessoas precisavam vir de fora para conhecê-la. “Agora nós conseguimos que a nossa cultura extrapolasse esse domínio”. E nesse contexto o projeto Terruá Pará, do Governo do Estado, com o apoio da Rede Cultura de Comunicação, tornou-se determinante. Porque a partir do momento que nós levamos a nossa música  para um grande centro, com o suporte de uma produção primorosa sob todos os aspectos (cenário, banda, infraestrutura), as pessoas passam a ter contato com nossa cultura e são estimuladas a buscar cada vez mais nossos produtos”, explica.Além do Terruá Pará, a Rede Cultura conta com uma política pública de circulação que referenda a produção cultural local. Somente no ano de 2011, cerca de 220 artistas paraenses circularam por todo o Estado através do Festival Cultura de Verão. Aliada a esse esforço de difusão, a Rede Cultura de Comunicação mantém uma política de apoio cultural que divulga o trabalho dos artistas paraenses através da programação das emissoras públicas. "Dessa forma, eles não só elevam a bandeira do Governo do Estado, mas, principalmente, a da nossa cultura. Esta é a nossa missão!”, comenta Adelaide.Para a presidente da Rede Cultura, esta evidência da música paraense também é um dos reflexos do projeto Terruá Pará, que mostra a produção artística local ao jornalistas formadores de opinião e aos produtores que assinam cadernos de cultura de importantes revistas e sites nacionais. “ Quem não tem oportunidade de ir ao espetáculo recebe o material de divulgação do projeto”, explica.
Evidência nacional impulsiona o turismo
Para o secretário de Estado de Turismo, Adenauer Goes, as consequências desta exposição da cultura paraense são altamente positivas para o turismo. O Pará, diz ele, possui o maior acervo cultural de toda a Amazônia brasileira e esta cultura desperta cada vez mais a atenção do restante do Brasil. “É como se as pessoas estivessem descobrindo ou redescobrindo todos os encantos que o Pará tem para oferecer. A partir do momento que esta rica cultura é mostrada através de novelas, filmes, letras de músicas,  desperta nas pessoas o interesse de viver tudo isso de perto, de querer conhecer o Estado do Pará”, ressalta.Adenauer explica que toda vez que é acionado por algum produtor ou emissora de fora - nacional ou internacional - interessada em ter o Pará como matéria-prima e locação, o Governo do Estado sempre se esforça para garantir toda a infraestrutura necessária para que essas produções sejam realizadas. É inquestionável o esforço do governo em fortalecer o turismo, que muito contribui para que nossa cultura seja conhecida e divulgada ao resto do mundo. “A orientação do Governo é traçar estratégias para o turismo, transformando-o em instrumento de desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda para o Estado de forma sustentável”, conclui.
Fonte: Agência Pará de Notícias

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