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sexta-feira, 30 de março de 2012

Operários de Belo Monte entram em greve e um trabalhador morre

O movimento de greve nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, iniciado na manhã de quarta-feira foi agravado pela morte, na parte da tade, o operário Francisco Orlando Rodrigues Lopes, 34 anos, no canteiro de canais e diques. As circunstâncias da morte de Lopes funcionário de uma empresa subcontratada, a Dandolini e Peper, responsável pela terraplanagem e supressão de vegetação nas obras da hidrelétrica ainda estão sendo investigadas. Funcionários que presenciaram o acidente, afirmam, no entanto, que Lopes operava uma motosserra e que a árvore cortada por ele estava presa a copa de uma outra por cipós e que essa segunda teria caído sobre o operário.
Outras três grandes obras de usinas hidrelétricas estão paradas: a de Jirau e a de Santo Antônio, no Rio Madeira, e de Teles Pires, no Mato Grosso. O consórcio Energia Sustentável do Brasil informou esta semana que a continuidade da paralisação das obras em Jirau pode levar ao adiamento do início da operação da hidrelétrica de 31 de janeiro de 2013 para o segundo semestre do ano que vem. Em Santo Antônio a greve já dura mais de uma semana. O Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia considerou as duas greves ilegais e autorizou às empresas a suspender o pagamento pelos dias parados. Já as obras de Teles Pires foram paralisadas esta semana por decisão da Justiça Federal no Mato Grosso que declarou inválida a licença de instalação da hidrelétrica, que está sendo construída no rio Teles Pires, na divisa entre Pará e Mato Grosso.

Cerca de cinco mil trabalhadores estariam de braços cruzados desde quarta-feira em Belo Monte. Segundo o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), dois dos cinco canteiros de obras da hidrelétrica, os sítios Pimental e Belo Monte estariam paralisados. Ainda segundo o consórcio, o canteiro de obras onde ocorreu o acidente continua funcionando normalmente. Fontes ligadas ao movimento de trabalhadores afirmam, porém, que o número de operários parados pode ser maior do que o informado pela empresa. Segundo esta fonte, os trabalhadores estão bloqueando a passagem de ônibus de funcionários e o consórcio só contaria com os operários alojados no local e os terceirizados para tocar o trabalho.

De acordo com o consórcio, os trabalhadores ainda não entregaram a sua pauta de reivindicações. Extraoficialmente, a informação é de que os acordos firmados na data-base da categoria, em novembro, não estariam sendo cumpridos. Entre os pedidos dos trabalhadores, a redução do tempo de baixada (período após o qual a empresa paga transporte para que os empregados voltem às suas cidades de origem) de seis para três meses, os reajustes salariais e da cesta básica. O estopim do movimento, no entanto, teria sido fim da contagem do tempo gasto em transporte como jornada de trabalho, após a transferência dos alojamento, da cidade, para dentro do canteiro de obras. Segundo fontes, esse corte representou uma redução de cerca de R$ 600 nos salários dos operários e teria motivado o pedido de demissão de cerca de 40 funcionários da obra este mês.

O consórcio afirma que todas as providências relativas à morte do operário estão sendo tomadas, em relação à família e aos órgãos legais. Além disso, a administração da obra diz aguardar a apresentação da pauta de reivindicação para iniciar as negociações com os trabalhadores.

No dia 1º de março, foi assinado o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção e criada a Mesa Nacional Permanente para a Melhoria das Condições de Trabalho na Indústria da Construção, que vai acompanhar e avaliar o cumprimento do Compromisso. Segundo fontes do movimento sindical, a situação nas quatro hidrelétricas fez o governo convocar, antecipadamente, uma reunião da comissão para a próxima terça-feira.


Fonte: O impacto

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